Introdução
O laudo de SPDA — Sistema de Proteção contra Descargas Atmosféricas — registra tecnicamente as condições do sistema de proteção contra raios, verificando sua conformidade, integridade e necessidade de manutenção.
A ABNT NBR 5419-3:2026 estabelece que o SPDA deve possuir plano de inspeção e manutenção documentado e que, a cada inspeção periódica, deve ser emitido um relatório técnico. Assim, a atualização do laudo não depende apenas de uma “data de vencimento”, mas também de alterações na estrutura, intervenções no sistema e ocorrências que possam comprometer sua eficácia.
Quando o laudo de SPDA precisa ser atualizado?
Conforme a ABNT NBR 5419-3:2026, uma nova inspeção e emissão de relatório técnico devem ocorrer:
- durante a instalação do SPDA;
- após a conclusão da instalação, na emissão da documentação *as built*;
- após alterações físicas ou de uso da estrutura;
- após modificações no SPDA em relação ao projeto;
- quando houver suspeita de que o sistema foi atingido por descarga atmosférica;
- quando houver solicitação do DPS classe I por evento de descarga;
- periodicamente, conforme o tipo de edificação.
Essas situações exigem nova avaliação porque podem alterar as condições originais de projeto, os caminhos de condução da corrente, a continuidade elétrica ou a proteção da estrutura.
Qual é a periodicidade das inspeções?
A ABNT NBR 5419-3:2026 define os seguintes intervalos para inspeções periódicas com emissão de relatório técnico:
A cada 1 ano
Para estruturas:
- com áreas classificadas 0, 1, 20 e 21;
- que contenham munição, explosivos ou componentes tóxicos;
- expostas a corrosão atmosférica severa;
- pertencentes a serviços essenciais, como energia, água, sinais e apoio à vida.
A cada 3 anos
Para as demais estruturas.
Esses prazos representam a periodicidade máxima indicada para inspeção periódica, sem afastar a necessidade de avaliações extraordinárias nos casos de reformas, danos ou suspeita de incidência de descargas.
O que deve ser verificado na inspeção?
Durante as inspeções periódicas, a norma exige a verificação de itens como:
- documentação técnica do projeto e condição *as built*;
- relatórios de inspeções anteriores;
- corrosão ou deterioração dos subsistemas de captação, descida, aterramento e equipotencialização;
- distâncias de segurança;
- seções e dimensões dos condutores;
- continuidade elétrica dos componentes aplicáveis;
- condição dos DPS classe I, dispositivos de sobrecorrente a montante e centelhadores de isolação;
- integridade de contadores de raios, quando existentes.
A inspeção, portanto, não se resume à observação visual: ela envolve análise documental, avaliação física do sistema e verificações técnicas de continuidade e conformidade.
É obrigatório medir a resistência de aterramento?
A ABNT NBR 5419-3:2026 esclarece que não é necessária a medição de resistência de aterramento para verificar a eficácia do SPDA.
Isso significa que a conformidade do sistema não deve ser avaliada apenas por um valor de resistência medido em campo. A verificação deve considerar o conjunto do sistema, incluindo integridade dos condutores, continuidade elétrica, documentação e adequação ao projeto.
O que deve constar no relatório técnico?
Em cada inspeção periódica, o relatório deve apresentar, no mínimo:
- identificação da estrutura inspecionada;
- identificação do profissional responsável e seu registro no conselho de classe;
- respectivo documento de responsabilidade técnica;
- registro da análise da documentação do projeto;
- registro da conformidade dos itens aplicáveis de inspeção, ensaios e dispositivos associados.
Esse relatório é a base técnica para indicar irregularidades, recomendar prazos de manutenção e orientar as adequações necessárias.
Conclusão
O laudo de SPDA deve ser atualizado sempre que ocorrer uma inspeção periódica obrigatória ou quando houver eventos que possam alterar a condição do sistema, como reformas, mudanças de uso, modificações no SPDA ou suspeita de impacto de descargas atmosféricas.
A atualização adequada do laudo contribui para manter a documentação técnica em conformidade, orientar a manutenção do sistema e reduzir riscos à estrutura, às pessoas e aos equipamentos.
Referências bibliográficas
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR 5419-3:2026 — Proteção contra descargas atmosféricas — Parte 3: Danos físicos a estruturas e perigos à vida.
MINTO, Marcela B. M.; NUNES, Luciana A. S. *A importância de sistemas de proteção contra descargas atmosféricas: um estudo acerca da elaboração de laudos de SPDA*. UFERSA, 2022.